Com o amor…

2010 fevereiro 4
por Don Andro Napoleón Caesar

salvaríamos o mundo.

Seríamos mais felizes,

Menos encarcerados,

Menos flagelados.

Teríamos mais prazer,

Menos insatisfação,

Menos destruição.

Teríamos mais liberdade,

Menos ilusões,

Menos desilusões.

Teríamos mais verdade,

Menos guerras,

Menos feras.

Seríamos mais satisfeitos,

Menos enganados,

Menos desesperados.

Viveríamos mais naturalmente,

Menos humanos,

Menos levianos.

Não precisaríamos de sentido para a vida,

Nem para a morte,

Nem para o norte.

Com a amor à nossa natureza,

Salvaríamos o mundo.

Sem a repressão que leva à tristeza,

Salvaríamos tudo.

O mundo estaria mesmo salvo,

Se amássemos mais… a nós mesmos!

O mundo estaria mesmo salvo,

Se o amor-próprio fosse valorizado

Mais do que a renúncia a si mesmo.

Se soubéssemos que amor não é renúncia,

Mas uma procura de satisfação pessoal,

Salvaríamos o mundo.

Moça com sua ave, a esperar

2010 fevereiro 1
por Gabriel Vaskonvinsky

Saiu a moça morena com seu grande pássaro, que era como uma ratita de pescoço muito fino e longo, com penas verdes e um penacho na cabeça, acima do bico curvo. As pessoas do hotel faziam algazarra na piscina e as madames aprumavam os cabelos nos cubículos de embelezamento, sentadas enquanto liam revistas que contavam fofocas sobre as vidas que lhes interessavam, que eram as dos atores e atrizes de novelas. Pois este é um mundo muito democrático. Aqui se pode ficar sabendo tudo, e de ninguém qualquer coisa é escondida; está tudo nas revistas de fofocas.
E a mocinha morena saiu com sua ave chamativa pelo hotel, os cabelos da moça ao vendo dançavam e desviavam dos grãos de areia e partículas de água salgada da maresia que o mar soprava; as penas da ave imitavam o gracejo dos cabelos. Ninguém prestava atenção nisso. Ninguém prestava atenção em nada – só em suas próprias vidas, exceto as madames das revistas de fofoca. A praia era tão sozinha, e o sol, também, tão solitário, descendo mais e mais, mas devagar, pelo zênite estrelado, de pontos pálidos que iam surgindo por trás dos tons róseos da tarde que se punha, ia dormir junto ao sol, dentro daquele oceano tão gelado e tão sozinho. Mas a mocinha, não sozinha, pois tinha sua ave grande.
Outras pessoas traziam consigo outros bichos: um tubarão com pernas e braços seguia um rapaz, e, ao longe, no meio do mar, todos viram quando apareceu o Holandês Voador, com suas velas vermelhas agourentas, e seu capitão pulou no mar e cavalgou Leviatã. Ah, foi um grande alvoroço. Todos correram, todos queriam ver. Todos acabaram vendo, e alguns registraram nas câmeras portáteis. Uma criança levou um safanão, pois abriu a caixa do filme e queimou o negativo com as fotos das férias no hotel, estragando todas as memórias.
A moça, quando já era noite e o sol dormia no oriente com os japoneses, iluminando Tóquio (é claro que eles estavam todos acordados nessa hora), desceu as escadas de mármore do hotel com sua ave amiga. A escadaria dava para a praia, direto. Depois do último degrau, punha-se imediatamente o pé na areia gelada da noite. Na praia, algumas pessoas acendiam pirilampos a gás e todos os fantasmas de capitães fumavam seus cachimbos de éter, semitransparentes. Capitão Nemo se aproximou e ofereceu à moça morena um passeio no seu nobre Nautilus, contanto que ela o seguisse eternamente no fundo do mar. A moça sorriu e acariciou o grande pássaro, que grasnou. Recusou o convite, mas agradeceu, puxando os babados dos lados da saia de cigana e curvando o pescoço para a direita, numa reverência. Nemo deu uma risada sutil e elegante e se deixou dissipar na brisa que vinha do mar. A moça sentou na areia com a ave e esperou o disco voador chegar.

Se eu for embora hoje?

2010 janeiro 30
por Sashimi_

Se eu for embora hoje,
Sentiria a minha falta?
Ficaria chateado se não despedisse?
Choraria de saudades?

O que iria dizer para mim?
Adeus?Boa sorte na outra vida?
Até logo?Ou simplesmente um tchau?
Preferia o silêncio?

Aonde vamos sair pela última vez?
Praia?Shopping?Cinema?
Um canto isolado?

Por mais que nós brigamos sem parar,
Quando uns de nós formos embora,
Vamos sentir falta de um do outro.

Precisamos pensar duas vezes,
Em dizer algo por uma pessoa
Que lhe cativas demais,
Porque esta pode não mais voltar.

Linha: Única Sentido: Lugar Nenhum

2010 janeiro 29
por Vik
As coisas vão indo, vão passando
Eu sento na calçada da estação vendo o trem passar
Vejo jovens implorando para subir no trem
Vejo jovens saltando dos vagões
Ouço falar de uma terra prometida
Mas não se enganem, o trem não tem destino nenhum
Apenas anda em círculos como um compasso
Apodrece a cada ano ou roto março
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Vagalumes

2010 janeiro 29
por Don Andro Napoleón Caesar

Piralampos

Dormem acesos

Em meio à

Escuridão.

Vão surgindo

Um a um

Quando vem

O pretume.

Luminosos,

Poderosos,

Nos enchem

Nossos olhos.

Pouco a pouco,

Ocultam

Lampiões

Biológicos

Dos pequenos

Vagalumes

Enfadados.

A luz verde

Aparece

De repente.

Logo some,

Com a mesma

Rapidez

Que surgiu.

Que seria?

Não se sabe.

Apagaram-se.

Não se foram.

Foi o Sol

Que ofuscou-os.

Sun and Pix are Free

2010 janeiro 24
por Vik
I wanna see the wavves
I wanna see the sunn
I wanna take the pix
I wanna free the moon
I’ll take my guitar
And play a song or two
And enjoy the wavves
And sail to the moon
The wavves caress my feet
And I wanna drown in the sea
I thank the wind
Cuz’ sunn and pix are free.


Quinta-feira

2010 janeiro 23
por Spawn161, The King.

“Lá estava eu, sentado num banco do parque, em frente a livraria mais distante de todo o centro da cidade. Cheia de livros, cheiro de café e pessoas que tinham idades não tão longe dos três dígitos. A maioria dos freqüentadores ia para conversar, ler um livro ou apenas sair de suas casas tão deprimentes, mas eu ia a livraria por motivos diferentes. Três motivos para ser exato .
O primeiro eram “os pratos do dia” que nada mais eram que livros que entravam em promoções absurdas no dia, e como o dinheiro que eu conseguia com a entrega de jornais não era alto eu tinha que me virar. Os pratos do dia sempre ficavam na frente da loja escritos a giz num quadro negro. O único motivo para tal nome era o próprio nome da livraria se chamar Restaurante da Mente, o que muitas vezes atraia pequenas visitas ou olhares antes dos curiosos perceberem que era apenas uma livraria regular.
O segundo, é o motivo pelo qual primeiramente comecei a freqüentar a livraria, era o xadrez. O “Chef” do restaurante, que era como se fosse um paia para mim, jogava com seu velho amigo todo dia e eu sempre estava lá para assistir ou jogar.
Mas o terceiro e principal motivo não estava em livros ou diversão e sim numa garota, a filha do Chef, ela havia se mudado para casa do pai na mesma semana em que eu completara 16 anos e desde então eu ia pontualmente as três horas da tarde de todos os sábados.
Mas hoje era diferente, era uma quinta-feira. A principal diferença não era o dia mas sim o que eu iria fazer. Eu estava lá apenas por um motivo. Não para ler, não para jogar xadrez. Estava lá para chama-la para sair, ou ao menos tentar. Eu já estava lá no banco a meia hora, apenas tentando arranjar a coragem necessária, nunca tive confiança em mim mesmo apesar das diversas garotas ou dos diversos elogios de outras garotas e as vezes, apesar de me assustar, de garotos. Eu era apenas mais um nerd recolhido ao pequeno mundo de amigos e ao grande mundo da imaginação. Quando me levantei para atravessar a rua, com a coragem que só uma pessoa que está se preparando a três trimestres teria, andei os dez metros mais longos dos meus últimos anos. Assim que entrei na loja um rapaz esbarrou em mim para também entrar, na hora achei que estava só querendo ir ao banheiro. Isso é antes de tirar a droga da pequena arma automática do bolso e acabar com o Chef e a filha dele ”
- Então foi isso que aconteceu? – O policial me perguntou com a paciência apenas das pessoas que já estavam de saco cheio de tanto escutar depoimentos.- O senhor afirma que o que foi relatado é tudo verdade? – Ele perguntara mais uma vez, parecia querer acabar com resto da paciência que eu ainda tinha naquele fim de tarde para que eu experimentasse o que ele estava sentindo no momento.
- Sim, claro que tenho – Eu não estava mentindo, era tudo verdade. Mas também nunca havia falado que era tudo que eu podia falar.
- Certo. – Ele disse sem muita emoção na voz, assim como antes – Pelo visto não era apenas você que o via como um pai, ele deixou a livraria para você. Espero que você não esteja envolvido.
- Claro que não – Respondi com toda surpresa que pude, o Chef vivia falando que ele iria deixar o Restaurante para seu filho, apesar de ambos sabermos que ele não o tinha. – Posso ir agora? Eu preciso descansar um pouco. – A verdade é que eu queria saber se ao menos a razão de estar no Restaurante numa quinta-feira ainda estava viva. Se não, eu teria perdido nove meses de preparo, um pai e quem sabe um futura garota. E isso estava me matando.
- Claro filho, você não me parece uma ameaça. Muito menos alguém que tenha a coragem para isso…- Suas palavras saíram com muita mais emoção que antes, só que agora tinha graça e desprezo.
Enquanto eu saia da sala eu ouvi ele e seu parceiro rir sobre a possibilidade de ter sido eu. claro que não tinha sido eu e estava na cara, durante os tiros eu molhei minhas calças como um garoto de cinco anos de idade com medo do próprio armário fazendo sobra. Mas havia algo, um nome Erick Carter. O nome o qual o desgraçado se dirigiu quando saia do Restaurante pelo celular. Eu não fazia idéia do que iria fazer, mas eu não iria ficar parado.

Algumas verdades sobre Lady Caos VIII

2010 janeiro 23
por Lαdy Cαos

Eu não presto nem quero.

Sou uma parte em todos aqueles que já feri, e eles são partes importantes de mim. Não posso ser presa, não se aprisiona a liberdade. Não minto, oculto

o que acho que devo ocultar. Não devo nada á ninguém. Nem pretendo dever. Marco as pessoas á ferro, mesmo sem querer.  Peço perdão á elas, perdoem elas ou não, por que me sinto mal com isso.

Minha consciência não é limpa, a de ninguém é por muito tempo. Todos cometem erros, e eu os cometo mais ainda. Não sou hipócrita, sou uma escrota mesmo.

Sou como uma maldição, uma vez nela, não se pode mais sair. Queria ser como a morte, mas em geral não dou um fim á sofrimentos, dou um início.

Amo todos á minha volta (até demais) e o meu amor dói muito. Minhas palavras são veneno, puro, quente, doloroso e torturante. Mortal? Não. Mas sem uma cura imediata.

Não preciso de ajuda, desisti de ser ajudada aos oito anos. Me canso fácil das coisas, de tudo em geral. Homens, livros, músicas.

O Bom disso é que conheço e faço de tudo um pouco. Dor? Muita, mas em geral mantenho-a quieta, no fundo do meu cativeiro-coração. Não consigo gritar de verdade, nem chorar alto, esqueci como se fazem tais coisas. Mesmo assim ainda consigo ficar feliz de vez em quando. Feliz quando um amigo passa no vestibular (feliz mesmo). Foda-se eu sempre soube que não ia passar.

Sinceridade é tudo pra mim. Quanto mais sincero melhor. Sinceridade daquelas que chega a incomodar. Essa é a unica coisa que meus olhos sujos ainda consideram puro. Pureza… Quantos anos fazem desde que eu deixei de ser pura? Sempre pensei que já tivesse nascido assim como sou. Quando as crianças deixaram de ser puras? Eu sinceramente queria ver aqueles tempos voltarem. Mas mesmo assim, mesmo que se voltasse no tempo eu não iria mudar o que já sou jamais voltaria a ser o que era e, Caralho, isso é o único motivo pelo qual ainda me ajoelho á noite rezo pra aquele escroto lá de cima. Não, não o vizinho que traz putas e travestis pra casa. Deus. Esse sim é o grande escroto lá de cima. Não tenho muita crença nele, mas também não deixo de crer. Foda-se quem criou o mundo, ele está feito, certo? pronto, vamos sujá-lo, destruí-lo e morrer queimados e felizes! Não sei se existe Céu ou Inferno. Foda-se isso também. Se existir não tenho salvação então não vou pensar nisso agora. Nunca matei ninguém, nem roubei nada, mas Luxúria, Orgulho e Inveja são pecados capitais não? Pronto, pro inferno. Eu e todo mundo que eu conheço, mas pro inferno. Não sei por que começei a escrever isso, mas sinto uma necessidade enorme de fazê-lo.

Então vou terminar aqui, assim como começei. Sem sentido nenhum, sem graça nenhuma, sem lição de moral nenhuma.

Apenas um texto de Lady Caos VIII.

Malícia liberta – prévia

2010 janeiro 20
por Don Andro Napoleón Caesar

-Ei, levanta. O que se passa com você?

Abriu os olhos e viu à sua frente somente o teto de seu laboratório escuro, sem qualquer luz acesa, iluminado somente pelos poucos raios que atravessavam as frestas da porta.

-Quem me chama? Não reconheço esta voz.

-Não reconhece a própria voz?

-Estou falando sozinho?

-Tecnicamente, sim.

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A canção do palhaço trágico – parte um – Martini, Natasha e Café

2010 janeiro 14
por Don Andro Napoleón Caesar

Sentavam-se todos comendo, bebendo, comemorando. O som das risadas ecoava no ar, em milhares de timbres distintos. No palco, havia um palhaço, mas não era ele o motivo de risos. O local que descrevo é um bar. Não há crianças. Todos que riem ali são adultos que riam de si mesmos, dos seus companheiros e das coisas da vida. Tudo isso era muito mais engraçado e divertido que um palhaço, principalmente se fosse um palhaço como aquele, que felicidade alguma trazia consigo. As suas roupas eram típicas de um palhaço de circo ou animador de festas infantis: nariz vermelho, o rosto magro em um branco níveo, tendo pintada uma boca longa e rubra e cruzes sobre os olhos com lágrimas verdadeiras descendo deles. Suas roupas consistiam de: um macacão xadrez verde e vermelho, que parecia mais um enorme semibalão segurado por suspensórios;  uma camisa listrada em cores alarmantes, que eram rosa-choque e verde-limão. Usava luvas disneyanas. Tinha sapatos que, por muito pouco, não eram maiores que ele mesmo. A peruca de cabelos rebeldes e um chapéu verde pequeno com uma flor laranja sobre ele não poderia faltar, também. Segurava um violão. Se fosse em um circo, muito provavelmente o faria ir contra a cabeça de algum outro palhaço. Era um palhaço aparentemente velho, muito magro, com pele enrugada e uma barba grisalha por fazer, o que o tornava ainda mais estranho que os outros.

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Era uma vez no fim do mundo III

2010 janeiro 12
por Vik
Desliguei o computador, fui para a sala e vi Azunda num estado de sono. Não tive escolha a não ser acordá-lo. Despertou assustado, mas, como eu já disse, não tive escolha. Joguei-o no banco de trás do meu carro e disparei a toda velocidade. Ele não era muito veloz, era um simples Corsa 1.0, por isso tive que costurar o trânsito. Aquele esquisitão teria que me dar belas explicações. Não que eu fosse um cara colérico, sou bastante calmo, porém não aceito certas coisas.
“Ei, o que está havendo?” perguntou o rapaz.
“Vou pegar Johann. Ele engravidou a minha irmã e quero algumas explicações dele!”
“Céus, foi mesmo?”
“Foi. Procure alguma coisa aí atrás. Quero bater no desgraçado.”

Feridas Internas!

2010 janeiro 12
por Sashimi_

O   que  adianta,
Procurar a felicidade em você,
Se por dentro está sentindo um vazio.

O que adianta bancar o bonzinho
Com os outros, se esses estão sós
Querem  jogar pedra em você.

O que é que adianta fingir,
Está-se tudo bem, tudo normal
Sabendo que não está.

Sim!Companheiro, obrigado,
As suas feridas são as piores,
Porque as internas nunca serão
Cicatrizadas totalmente.

Não.

2010 janeiro 11
por Don Andro Napoleón Caesar

Somente “não”.

Foi tudo que ela disse.

Disse “não” aos meus auxílios.

Disse “não” à minha presença.

Disse “não” ao meu exílio.

Disse “não” à minha ausência.

Disse “não” à minha vida.

Disse “não” à minha morte.

Disse “não” tão comovida

Com tamanha falta de sorte.

Disse “não” ao meu amor.

Disse “não” ao meu desprezo.

Disse “não” ao meu horror.

Disse “não” ao meu desapego.

Disse “não” a tudo.

Disse “não” a nada.

Disse “não” ao escuro,

Mas desprezou a alvorada.

Disse “não” ao meu sigilo

E recusou o meu discurso.

Não aguentou um só sibilo

Mas quis ouvir um rugir de urso.

Disse não à própria vida,

Mas recusa-se a morrer.

Apesar de tão sofrida,

Crê que vai sobreviver.

(Ela diz “não”.

Recusa-se a tudo.

A cada dez palavras, nove nãos.

Como se fosse um bebê só conhece essa palavra

E vez por outra erra na sua pronúncia.)

Ela diz não ao que é novo,

Mas recusa-se a ser sempre igual.

Quer que nasça, de um ovo,

Um enorme vegetal.

Disse “não” à mudança,

Mas não quer sua natureza.

Disse “não” a ser criança,

Quer uma vida de certezas.

Nãos, nãos e mais nãos,

Com a força de seu som,

Agarram-me como mãos

Que desafinam seus tons.

E tudo que ela me diz é “não”.

A todos esses nãos, só uma coisa tenho a dizer:

“Não”.