Ciclos. Um retorno estúpido de todas as coisas. Uma repetição que cansava. Sempre as mesmas coisas. Mas, daquela vez, ele decidiu mudar tudo.
Estava feliz. Estava com a mulher de seus sonhos, aquela com quem ele se casaria e teria uma vida feliz. Na verdade, a vigésima quinta de quem ele chegou a pensar assim. Como as outras, ela o abandonou sem dar satisfações. Desapareceu. Que mal teria ele feito? Nenhum. Novamente, seus atos foram mal interpretados. E a simples interpretações que as mulheres da vida dele fizeram foram tão destruidoras ao ponto de elas se sentirem envergonhadas de comunicarem-nas a ele. Por isso, sentava-se em seu quarto, abastecendo a taça do seu corpo com o vinho de remédios para depressão.
Os seus relacionamentos amorosos eram sempre iguais, desde o início: primeiro, ele conhecia a mulher. Em segundo lugar, ela se admirava com a erudição e com a sensibilidade dele, achando-o o homem mais incrível do mundo. Em terceiro lugar, eles começavam a sair. Saíam duas ou três vezes e começavam um namoro. Depois disso, ele começava a gostar dela. Por consequência, seu lado independente e racional, que ela tanto admirava, desaparecia. Ele ficava jogado aos pés dela. Ela se acostumava. Esperava sempre uma atitude romântica. (Com algumas delas ele se casou sem ter filhos e sem conseguir duração maior de um mês de casamento, mas isso é irrelevante.) Quando a primeira atitude que ela achava não-romântica aparecia, ela o abandonava. E não achava que precisava explicar nada a ele. E ele chorava. Refletia por muito tempo sobre o que ele havia feito, quando na verdade não havia feito coisa alguma. Era só estupidez da parte delas. Essa necessidade de sempre querer encontrar um motivo por trás de cada ação. Necessidade esta que levava-as a chegar sempre à conclusão mais errada. Arrogante, dizia-lhe a mais arrogante de suas namoradas. Desapegado, dizia-lhe a mais desapegada. E assim por diante. Hipócritas. Ele queria se matar. Queria nunca mais se envolver com ninguém e tomava de volta o seu lado racionalista e independente. Meses depois, o ciclo voltava ao seu ponto inicial: primeiro, ele conhecia a mulher.
Com suas amizades não era nada diferente. Primeiro, ele conhecia alguém. Depois, eles começavam a trocar segredos, pensamentos e tudo mais. Em seguida, passavam a ser inseparáveis. Saíam para todos os lugares juntos, compartilhavam um ciclo de amizades. Tornavam-se seres indissociáveis. Onde quer que passassem, estavam os dois juntos. Só se separavam para tomar banho e dormir. Porém, um dia, discordavam em algo, tinham uma grande briga e depois reatavam a amizade. Diziam que nunca mais fariam de novo. Mas acontecia. Discordavam de algo, tinham uma grande briga e depois reatavam a amizade. A culpa não era dele, porque briga era o que ele mais abominava, mas sempre era ele que devia as desculpas. Isso duraria indefinidamente, se não fosse pelo amigo que colocasse o orgulho acima da amizade e decidisse romper relações. Depois disso, nem se falavam mais. Depois, o nosso protagonista conhecia alguém.
Se havia algo no qual ele tinha uma experiência satisfatória de ciclo, era a vida acadêmica e profissional. Sempre estava à frente de todos de suas turmas de graduação, pós-graduação, mestrado e doutorado. Fazia sempre dois cursos de graduação. Depois, fazia todas as pós que pudesse. Arrumava o emprego em uma área como a que ele havia se formado. Sempre era considerado o melhor dentre os funcionários das empresas nas quais trabalhava. Mas isso não o satisfazia. Não lhe dava qualquer satisfação como ser humano. Odiava ter contatos por estes locais. Sempre inspiravam competição e não tinham muito assunto em comum senão os referentes ao local onde trabalham. O ciclo era bom: ele via um campo no qual valia a pena investir. Em segundo lugar, investia na ideia. Por seguinte, apresentava-a. Era gratificado. O ciclo se repetia até o momento no qual ele se cansava do emprego atual, da área que trabalhava e ia fazer outra graduação, que terminava enquanto já trabalhava com algo diferente. No seu novo trabalho, via um campo no qual valia a pena investir.
No tédio do seu quarto, nos sábados de folga, não era muito diferente o que acontecia. Ele entrava às 12h no messenger e lá ficava o restante do dia. Assim que entrava, trocava as novidades com Paula. Não era muito diferente, ele já sabia tudo. Ela diria que tinha encontrado o homem da vida dela e que tinha esquecido o que conheceu na semana anterior. Por volta das 16h, sabia que acabaria discutindo com Daniel por algum motivo fútil. Às 18h, Ronaldo dizia a ele que ia à padaria. Às 19h45, Vanessa ia jantar. Às 20h, Giuliana, sua amiga de infância, dizia-lhe que estava com saudades e contava sobre as brigas e mais brigas que aconteceram com seu marido, entre seus amigos e com sua família. Às 21h, começava a discutir com amigos sobre assuntos profundos. João recusava-se a ouvir. Tiago, na falta de argumentos, atacava o argumentador. Igor saia antes que a discussão começasse, pois seus pensamentos religiosos não permitiam muita flexibilidade. Às 0h, desligava o computador e ia dormir. No sábado seguinte, às 12h, ele entrava no messenger e lá ficava o restante do dia. Assim que entrava, trocava as novidades com Paula.
Era uma vez, quatro garotos que viviam na cidade de São Demon, esses garotos eram muito ligados a Igreja Católica e gostavam muito de ir à missa, e formaram a banda em seu bairro, a banda CatóllicA que tocavam leves musicas religiosas na Igreja. Era 23 de março, domingo-feira, logo após a missa, os garotos foram à praça e viram o banco do outro lado da rua sendo assaltado e desde aquele dia os garotos ficaram traumatizados, mas voltaram as suas vidas normais ajudando a igreja. Era Natal, enquanto estava acontecendo à missa do natal, ocorreu uma tragédia, seis bandidos armados entraram e mataram todos que estavam na igreja restando apenas três dos quatro garotos da banda, o Padre Grimaldi e o palhaço do circo que ficava próximo ao bordel do maior cafetão da região, Mr. Andro. Depois do ocorrido, Padre Grimaldi começou a beber, após algum tempo se converteu a Igreja Evangélica.
E os três que restaram da banda CatóllicA seguiram o mesmo caminho do agora Pastor Grimaldi, começaram a beber e usar drogas, por influência do Pastor e fundaram uma nova banda, EvangéllicA, que junto a três outros garotos formaram a banda de Heavy Metal mais conhecida de São Demon. Nas letras das musicas, os temas eram sexo, drogas, álcool, igreja e salame. Depois de um ano da tragédia do Natal, os garotos só queriam ir ao culto e no fim, ir à boca de fumo do Mano Ricardo e do Mano Pango para usar macaíba, uma droga muito forte e muito cara, vendida apenas a pessoas que não tem amor a vida. Então os garotos foram para os EUA, fazer uma turnê, no primeiro show o baterista desmaiou, mas nos outros shows da banda EvangéllicA passou bem e fizeram sucesso em todo mundo, tocaram em grandes cidades e países, como na Iugoslávia, no Cazaquistão, na Disneylândia e até na Etiópia. Os temas das suas canções viraram febre mundial e a banda vendeu um milhão de cópias de seus CDs originais, três milhões de cópias de seus discos vendidos pelo os camelôs de todo o mundo além dos noventa milhões de cópias dos CDs baixados pela internet. No auge da carreira, com muito sexo, drogas, álcool, igreja e salame, a banda acabou. Os integrantes não aguentaram a pressão e desistiram da fama e do dinheiro e voltaram a tocar na igreja do Pastor Grimaldi, frequentar a boca de fumo do Mano Ricardo e Mano Pango e o bar do Mr. Jedi e recomeçaram as suas vidas.
Mamãe leu, sem comentários, a resposta evasiva de Alejandro, de que se trataria de conseguir férias tão logo entregasse o primeiro setor instalado na fábrica. À tarde, quando Maria Laura chegou, pediu-lhe que intercedesse para Alejandro vir a Buenos Aires nem que fosse somente por uma semana. Maria Laura disse depois a Rosa que mamãe tinha feito um pedido num momento em que mais ninguém podia ouvi-la.Tio Roque foi o primeiro a sugerir o que todos já tinham pensado tantas vezes, sem se atrever a falar claro, e quando mamãe ditou a Rosa outra carta para Alejandro, insistindo na sua vinda, decidiu-se que o remédio era arriscar, ver se mamãe estava em condições de receber uma primeira notícia desagradável. Carlos consultou o Dr. Bonifaz, que aconselhou prudência e umas gotas. Deixaram passar o tempo necessário, e uma tarde tio Roque sentou-se aos pés da cama de mamãe, enquanto Rosa preparava o chimarrão olhando pela janela da sacada, junto à cômoda dos remédios.-Imagine que agora começo a compreender um pouco por que este diabo de sobrinho não resolve vir nos ver – disse tio Roque. – O que acontece é que ele não quis preocupá-la sabendo que você não está bem.Mamãe olhou-os como se não entendesse.-Hoje os Novalli telefonaram, parece que Maria Laura recebeu notícias de Alejandro. Está bem, mas não vai poder viajar durante alguns meses.-Por que não vai poder viajar? – perguntou mamãe.-Porque acho que tem qualquer coisa no pé, parece. No tornozelo, acho. Temos que perguntar a Maria Laura para saber o que aconteceu. O velho Novalli falou em fratura ou alguma coisa nesse gênero.-Fratura no tornozelo? – disse mamãe.Antes que o tio Roque pudesse responder, Rrosa já apanhara o vidro de sais.(…)Alejandro respondeu no tom mais natural do mundo, explicando que não quisera contar o caso da fratura para não afligi-la. (…)
Eu tenho que admitir. Na primeira vez que coloquei chocolate amargo na minha boca, achei horrível. Como é que alguém poderia gostar daquela coisa, com gosto tão forte, mas discreto e poderoso, que deixa uma sensação ruim, e que é dura como pedra?… Mas alguns meses depois, me ofereceram um pedaço. Eu não vi que era amargo e provei. Nem era tão ruim assim.
Agora eu gosto bastante de chocolate amargo. Melhor do que o de leite, sinceramente.
Mas isso não é motivo desse post. Não, não, chocolate amargo é bom, mas não rende uma das minhas postagens grandes, que tendem a ser incrivelmente dramáticas e/ou psicóticos próximas ao final.
Hoje, eu pretendia falar sobre outra coisa muita mais emocionante e complexa.
O problema é que eu me esqueci do que era. Portanto, eu vou contar uma estória que, sinceramente, não sei se é ficção ou realidade. É sério, eu me perdi nesse grande paradoxo em alguma parte, e não sei mais onde fica a divisão entre realidade e ficção…
Mas se bem que, no fundo, a ficção também faz parte da realidade de nossas vidas, não é? Do ponto de vista meramente físico, tudo o que imaginamos, obrigatoriamente, existe no formato de hormônios e/ou impulsos elétricos. São fenômenos criados pelo nosso corpo, que é basicamente uma grande reação química contínua com bilhões de anos de vida.
Claro, no fundo eles são apenas impulsos elétricos, meras diferenças de polaridade no nosso tecido nervoso. Elas apenas ganham significado quando colocados no contexto do nosso cérebro…
Questão que nosso cérebro, como já falei, é fruto de coacervados (teoricamente) que “viveram” a bilhões de anos, que obtiveram RNA, viraram “células” de acordo com nossos padrões, ganharam DNa em algum momento aí, se uniram e criaram os seres anciões que evoluíram para criar o Homo sapiens sapiens, um primata que se recusa a admitir que é um primata.
Ou seja, a ficção existe. Tudo o que você imaginar realmente existe! Claro, não no formato em que você provavelmente esperaria, mas perceba: sua mente realmente existe!
É partindo desse simples princípio que chegamos a uma conclusão igualmente simples: nada observável é absoluto. Tudo, tudo, tudo que vocÊ encontrar, não importa o quão óbvio e simples isso seja, é questionável. Dependendo do seu humor e estado psicológico no momento, algo normal pode destruir sua vida. E nem sequer levamos em conta as relações e vínculos que estabelecemos com as pessoas!
Imaginem! Algo tão simples como um elogio ou um insulto pode ter valores completamente… assustadores e altos dependendo de quem proferiu o insulto/elogio!
É esse tipo de coisa que eu tento observar com cuidado: através das relações entre pessoas, do auto-conhecimento, da reflexão, e da descoberta, podemos entender mais sobre nós mesmos. Isso é um dos possíveis significados para filosofia.
E a ciência serve como um importantíssimo guia nessa jornada. O conhecmento do funcionamento do Universo e de tudo o que há nele é o alimento e a lanterna para aqueles que se aventuram nessa caverna (ou, se preferir, é o que acontece quando saímos da caverna).
Mas, chega disso! Vamos para a estória que eu prometi contar no começo da postagem, mas que ainda não contei, nem dei idéia de como será, não?
… É sério, é uma grande pena de que eu me esqueci da estória.
…Desculpas…
Eu disparo
Tu cais
Ela grita
Nós ameaçamos
Vós chorais
Eles fogem
Na cidade de A., anteontem, dia 17 de Outubro, no quarto 142 do Hotel Reves, foi encontrado o cadáver de um mensalista, o web designer José Silva, 29 anos, sentado numa mesa em frente à escrivaninha do quarto. Ele não respondia há dois meses a qualquer chamado de fora, nem mesmo do proprietário do hotel, que lhe perguntava sobre as compras e sobre o aluguel. A força policial foi chamada para tirar o homem de lá, mas o encontrou morto.
Todos os dias, o proprietário, Sr. José Daniel Bonifácio, batia na porta do inquilino perguntando se ele queria algo. Não recebia respostas, nem mesmo os cheques de sempre. Bonifácio disse que, de início, pensava que o inquilino estava com algum problema pessoal e não queria companhia. Isso era simplesmente lógico de se pensar, pois desde que começou a viver ali não saía por um segundo sequer. Apenas contatava o mundo quando queria comida, analgésicos ou pagava o aluguel. Nada mais. “Ele me dava cheques de 3000 reais, todos os meses, embora isso ultrapassasse um pouco o valor a ele exigido. Nas últimas vez que o contatei, ele não falava de maneira clara. As palavras saíam embaralhadas de sua boca”.
“Quando este homem chegou ao hotel”, diz a recepcionista do hotel, Ana Júlia Cardoso, “ele pediu o quarto mais caro à disposição. Sua única exigência era que houvesse acesso à internet, pois ele precisaria disso para trabalhar. Foi a única vez que o vi. Ele tinha uma aparência elegante e um corpo invejável. Eu nunca havia visto homem mais bonito. Não era nada parecido com este homem gordo, com este cabelo e barba enormes e ensebados que vocês encontraram.”
O funeral aconteceu ontem e todos os conhecidos presentes foram os dois funcionários supracitados do Hotel Reves mais funcionários e antigos moradores do Lar do Sol Cantante.
Havia, ainda, alguns antigos colegas de faculdade do rapaz, como Júlio de Souza, que também falou sobre o falecido. “Ele não falava com ninguém, não ia às festas e tinha as melhores notas. Permanecia calado durante toda a aula, com um olhar meio… Sei lá, distante. Confesso, eu tinha medo de ir falar com ele, assim como todos os outros”.
Os médicos legistas confirmaram a causa mortis. “É realmente impressionante que ele ainda continuasse vivo, pois tinha um glioma supratentorial que já havia atingido boa parte do cérebro. Não tenho qualquer registro de caso que tenha chegado a tal ponto. Estou surpreso que ele ainda continuasse vivo até esse ponto”, diz o médico legista Jean-Antoine Cavalcante. A polícia, hoje, liberou à imprensa o acesso à carta, encontrada ao lado do corpo de José, e autorizou a sua publicação. Eis o que ela dizia – esta é uma reprodução fiel dela, sem qualquer alteração:
“Se estão lendo esta carta, é porque eu já morri. Se este é o caso, faço disso também o meu testamento e peço que vendam todo e qualquer patrimônio meu, juntem com tudo que eu tenho no banco e doem para o Lar do Sol Cantante, o orfanato no qual fui criado. É o único lugar ao qual eu ainda consigo ter afeto.
Eu tenho um tumor cerebral. Eu sei disso, mas ninguém sabe. Vivendo sozinho em meu apartamento (quarto de um hotel falido) com um emprego virtual, recebendo pagamento diretamente na minha conta no banco e sem ter amigos, é impossível mesmo que alguém saiba. Estou me auto-diagnosticando sem ser médico, com o único objetivo de facilitar o trabalho dos legistas no dia que eu cair morto. Provavelmente, quando encontrarem meu corpo, ele já estará em putrefação. Será a polícia vindo me tirar daqui ou o dono do hotel arrombando a porta para exigir que eu pague o aluguel.
Minhas únicas companhias aqui são os ratos, baratas e moscas que cohabitam este local. Divido minha comida com eles, embora estes filhos da puta eles não paguem o meu aluguel.
Não importa.
O que importa é que eu quero relatar o que sinto, nem que seja depois de morto. Isso me aliviará. Posso ter um tumor cerebral, mas não perdi o juízo ao ponto de falar com estes bichos. Mesmo se eu quisesse, não conseguiria.
Estas constantes náuses, esta fraqueza, esta visão turva, estas dores encefálicas que só param quando eu tomo doses superiores de analgésico… Eu sei do que falo. Estas dores estão cada vez piores e mais frequentes. Há dois anos, acontecia uma vez por mês e numa intensidade menor. Hoje, ela não para nem por um segundo. Poderia ser algo comum, se não estivesse acontecendo há mais de dois anos e piorando a cada dia. Não fui a médico algum, pois não quero ser tratado como doente. De qualquer forma, acabarei morrendo.
Há cerca de seis meses, não consigo mais sentir o meu braço esquerdo, mas eu o veto vejo e sei que está ali. Consigo movê-lo, mas não consigo senti-lo. Não adianta lutar contra isso. Tudo o que posso fazer é prolongar meu sofrimento. Neste ponto, não há nada que eu possa fazer. Progressivamente, sinto o mesmo acontecer com o braço direito direito.Não posso nem b
Minha visão está turva e escura.
E as dores estão piores. Muito piores eu sinto como minha cabeça como se minha cabeça fosse explodir, como se houvesse um gato gordo e hiperativo dentro da minha cabeça. Este gato tem uma loucura obsessão por ficar imitando um carrossel rodando lá dentro enquanto testa as suas unhas. Às vezes ele até pula. E esse gato, ultimamente vem estado cada dia maior e mais gordo, assim como eu. Ele não vai parar de crescer, jamais. Só parará no dia que eu estiver morto. Este gato está ficando mais forte que eu. Às vezes ele fica se debatendo. Nestes momentos, eu perco a consciência e me debato também.
Já não falo como antes. Consigo me confundir falando palavras simples, mesmo que outrora eu tenha sido um grande orador. Não é por nervosismo. É algo que acontece constantemente. Eu tento falar “bom dia”, mas só sai “bandeia”. Eu tento repetir, mas não adianta.
Freqüentemente, eu ando desmaiando. Estou apegando apagando sem qualquer motivo. Estou fazendo meu trabalho na internet e, repentinamente, acordo no chão. Às vezes, com manchas de sangue e hematomas por todo o corpo. Ninguém sabe disso, porque eu não saio de casa.
Peço ao dono do hotel para me trazer comida sempre que for ao supermercado. Dou-lhe um cheque todos os meses, que vale para minhas compras e para o aluguel. E é assim que sobrevivo. Mas estou ficando sem cheques. Quando eles acabarem, não irei ao banco. Permanecerei aqui. Definharei até a morte.
E vou sobreviven”
A carta termina assim, inconclusa.
Dizem que ao encarar a morte, a pessoa tem um flashback da própria vida.
Ao sair da loja, senti um ar gélido, reconfortante, passar por mim. Segui em frente, aquele lugar era muito calmo, certamente diferente dos lugares em que eu normalmente estaria. Olhei para os dois lados, para me certificar de que estava seguro, entrei no carro e liguei o motor.
Ouvi um barulho no vidro, olhei para o lado e vi o cano de uma arma apontando para a minha cabeça, somente a alguns centímetros de distância dos meus olhos, o meu único pensamento foi: “EU VOU MORRER! EU VOU MORRER!”, gritando em minha mente, mas não fiquei sem reação, mesmo sabendo que não havia como escapar.
Pisei na embreagem mais rápido do que em toda a minha vida, engatei a primeira, e quando os músculos da minha perna estavam tensionados, prontos para pisar no acelerador a toda velocidade, o inevitável aconteceu.
Antes que meu cérebro tivesse chance de processar aquele som ensurdecedor, eu já estava morto, o impacto foi tão forte que meu corpo foi lançado para o outro lado do carro.
Não houve nenhuma luz branca, nenhum sinal, só o vazio, e mais nada.
Vou começar a falar do sol que começa a lançar seus raios por entre as árvores dessa manhã e por falar nela, como está bela, que causou até uma inspiração tremenda para contar a história de uma jovem na qual observei que está vivendo faz alguns dias aqui nas proximidades, num trailer com sua maneira um tanto peculiar e então decidi escrever. Começarei pelo seu nome, Nandina Bonina, incomum. Assusto-me e tenho medo de fantasiá-la demais, porque das ultimas histórias que contei, as pessoas me transmitiam certa necessidade de desabafo, pelos seus destinos tão cruéis. Não tem explicação, mas com ela é diferente, faz com que a paz fique perambulando no ar e por ser tão grande a tranquilidade, me rouba as palavras, me fascina. Jamais pensem que falo assim por estar apaixonado, falo por causa do belo brilho similar aos das estrelas dos seus olhos esverdeados e dos seus longos cabelos escuros que aparentam nunca terem sido tingidos. Inevitável, a partir de agora, vou passar a observá-la diariamente, para desse modo, descobrir algo que possa compartilhar com vocês, caros amigos.
Hoje eu descobri que ela ouve a Janis Joplin, ela não me contou, mas o som chegou aos meus ouvidos. Qualquer semelhança entre elas, é mera coincidência. O que diferencia, é que a moça da voz berrante nunca me causou perca da fala, ao contrário da jovem de baixa estatura e pele branca cheia cicatrizes. Algo curioso, é uma pulseira cor de limão, lembro de ela ter me contado que se trata do seu amuleto de sorte, enquanto mordia compulsivamente seu dedo mindinho. No entanto, dizem que ela nunca dirigiu a palavra a mim. Ainda é pouco, preciso sair dessa inércia. Já são seis dias que a olho, pensei em comprar dois ingressos para irmos juntos ao Woostock, mas ouvi em meio a risadas, que já fazem mais de três décadas que aconteceu. Que farei para criar um laço com a jovem? Sinto-me inferior quando se trata de valores para com a vida. Mais inferior ainda quando tento aproximar-me dela. Algo me impede, talvez eu mesmo. De o próximo raiar do dia não passa, trocarei ideias de simplicidade e beleza como o canto do passarinho.
(…)
|céu inferno|
|dor prazer|
DET = céu x prazer – inferno x dor = vida
|inferno céu|
|prazer dor|
DET = dor x inferno – céu x alegria = morte
|sentimentalidade sentimentalismo|
|forjaria autenticidade|
DET = sentimentalidade x autenticidade – sentimentalismo x forjaria = arte íntima, honesta
Invertendo a posição de uma das colunas, temos que o DET terá seu sinal invertido, logo…
sentimentalismo x forjaria – sentimentalidade x autenticidade = arte comercial
|água sol|
|clorofila nutrientes|
DET = água x nutrientes – sol x clorofila = solução
|sol água|
|Nutrientes clorofila|
DET = sol x clorofila – nutrientes x água = fotossíntese
|água sol|
|clorofila nutrientes|
+
|sol água|
|Nutrientes clorofila|
DET = água + nutrientes + sol + clorofila = Reino Plantae
Luis Felippe Rodrigues – UFRN
Introdução
A técnica do cinema combina vários elementos próprios, e de outras artes, como musica, teatro e literatura, englobando-os em uma linha não histórica que faz com que a sétima arte seja tão ampla e auto-suficiente como nenhuma outra. Isto aliado a uma exorbitante quantidade de técnicas, como a tecnologia da ação, das fotografias e da projeção das imagens e da produção de som, completando-se com as novíssimas técnicas de filmagem e montagem Hollywoodianas.
“O cinema era apenas uma máquina de imprimir teatro, de visualizar a música, ilustrar a literatura. Hoje através do avanço da tecnologia, o cinema é uma grande máquina de fazer ilusões, ficção, romance e viagens”. – Tim Burton, Cineasta Norte-Americano
Uma prova das atuais tendências é a animação gráfica, técnica a qual consiste na manipulação rápida de modelos gráficos criados em computador, a uma velocidade invisível aos olhos humanos, criando uma ilusão de que há movimento. Mas os tantos avanços tecnológicos, são os principais fatores para um aumento de arrecadação nas bilheterias, e acima de tudo, são sinais de que há um crescimento na qualidade das produções Hollywoodianas?
A era BlockBuster
O termo BlockBuster vem do nome de uma bomba capaz de destruir uma quadra inteira de uma cidade, o que a tradução literal significa “destruidora de quadras”. Os primeiros Blockbusters da historia do cinema foram lançados na década de 70 por Steven Spielberg com os filmes “Tubarão” e “Guerra nas Estrelas” (75 e 77 respectivamente), as sessões desses filmes criavam incríveis filas nos quarteirões adjacentes dos cinemas, daí a associação bombas e filmes. Hoje, o termo é empregado em qualquer filme que tenha um orçamento acima de 100 milhões e conte com uma pesado programa de Marketing, com tal valorização das obras, cada BlockBuster, hoje, é um acontecimento mediático, social e de importância mundial.
Era Prata do cinema
Nos últimos sete anos, o cinema mundial tem a maior arrecadação da historia da existência da sétima arte, muitos falavam, que com a popularização da internet, o cinema perderia lugar, afinal as pessoas poderiam assistir em casa qualquer filme, antes mesmo que este estréie no cinema, porem aconteceu algo completamente inverso: por exemplo, um caso clássico de pirataria foi
“Tropa de Elite” que vazou nos camelódromos de todo o Brasil em 2006 e só foi lançado no cinema em 2007, mesmo com cerca de 11,5 milhões de brasileiros tendo assistido em DVDs piratas, segundo pesquisas da IBOPE, o filme foi o mais rentável de toda a historia nacional, arrecadando mais de 25 milhões durante a estada nos cinemas tupiniquins, o dobro do custo da sua produção.
Tragédias Cinematográficas
Muitas vezes um bom roteiro, uma ótima campanha de marketing e um pesado investimento não significa um alto lucro, por exemplo, a adaptação do clássico da historia em quadrinhos do gênio Allan Moore, “Watchmen” (2009). O filme com duas semanas em exibição arrecadou 112 milhões de dólares, um fiasco, sabendo que seu custo foi de 150 milhões. Por um outro lado Lua Nova(2009), o segundo filme da desprezível saga de livros “crepúsculo”(2007), que teve como custo baixíssimos 50 milhões de dólares, acredite, sem um roteiro serio, atores competentes, em fim, nada que aparentemente segurasse um sucesso, em apenas 2 dias, arrecadou mais de 140 milhões de dólares, algo surreal para qualquer produtora de filmes.
Tais fenômenos envolvem uma serie de fatores que devem ser estudados, ultimamente as produções cinematográficas vêem se utilizando muito mais de fatores técnicos, do que fatores sociais para perceber como se pode tirar mais lucro com suas obras. A sociedade ocidental contemporânea, não visa altos custos de produção, mas algo que esteja na moda, em outras palavras, algo que esteja no campo midiático da auto-citação, ou seja, Watchmen, nem mesmo se fosse adaptado no ápice de seu sucesso, apesar de ser uma obra extremamente bem escrita, nunca, repito, nunca chegaria a fazer tanto sucesso como a saga crepúsculo, isso porque os livros de crepúsculo tem como objeto, crianças e pré adolescentes, ou seja pessoas que tem muito mais tempo de ir ao cinema do que o publico de Watchmen.
Conclusão
As ultimas superproduções Norte-americanas evidenciam o que estamos adentrando uma nova cultura do espetáculo, que esta intimamente ligada às novas configurações da sociedade contemporânea, cada dia mais os padrões de produção estão interligados a vários produtos da pop arte, como pro exemplo, o recente filme Shrek The Third, EUA, 2007, que conta com uma gama de produtos, como cadernos, bonecos de ação, roupas, entre outros.Tudo isso prova uma grande tendência da mídia: a Auto afirmação.
Outra tendência das novas apresentações é o surgimento do espetáculo como megaespetáculos e espetáculos interativos que estão cada daí mais presentes no contexto social.
A teoria social crítica, dessa forma, se depara com novos desafios no mapeamento teórico e na análise dessas novas formas de cultura e de sociedade e de que forma elas devem conter novas formas de dominação e de opressão bem como a potencialidade para a democratização e a justiça social.
Bibliografia de estudo:
A cultura da mídia e o triunfo do espetáculo,Douglas Kellner,2004
Logo perco o meu sono
Quando as vejo em abandono
Nas ruas abandonadas.
Oh, como lembro-me dela,
Quando vejo na janela
As flores ensanguentadas.
Eu choro pela falecida,
Com sua morte sobre a vida
Nas flores ensanguentadas.
No jardim do meu caminho,
Regadas por dor e vinho,
As flores ensanguentadas.
As coisas mais odiadas,
Sujas, envenenadas,
Ensanguentadas.
Flores ensanguentadas.
Cores ensanguentadas.
Dores ensanguentadas.